26 de outubro de 2009

Trinity Blood





Tive a sorte de colocar as mãos sobre mais uma grande história, graças às recomendações da minha vendedora favorita da Magic Center (agradecimentos encarecidos a ela por ter se dado ao trabalho de se sentar comigo para papear e comentar sobre as séries em DVD... tudo bem, ela queria vender, mas ainda assim... impossível não se empolgar com a empolgação dela...). Com grandes doses de ação, política, intrigas e um background de tirar o fôlego, Trinity Blood, decididamente, capturou minha atenção.


Ao final das contas, vampiros sempre são seres carismáticos. Adoro vampiros. O que dizer então de um vampiro amargurado por seus crimes, que se torna padre para redimir seus pecados? Discussões éticas e morais à parte, o padre Abel Nightroad é um personagem muito bem construído; cheio de segredos e dualidades, o tipo de protagonista pelo qual você torce do começo ao fim.

Mas estou me adiantando... Vamos começar do começo, ok?

Trinity Blood começou como uma série de novelas em 2001, escritas por Sunao Yoshida, com ilustrações de Thores Shibamoto. Yoshida morreu em 2004, sendo então substituído por seu amigo e autor das novelas da série Ragnarock, Kentaro Yasui. No mesmo ano, foi lançada a série em mangá, ainda não terminada e, em 2005, o anime, com 24 episódios.

Muitos anos antes da época mostrada no início da série, humanos tentaram colonizar Marte, e, no processo, descobriram duas tecnologias ou organismos aliens: os Bacillus e as nanomáquinas Crusnik. Esses colonizadores implantaram em seus corpos os Bacillus, transformando-se assim em Methuselahs - ainda seres humanos, mas com força sobrenatural, vida prolongada, extrema velocidade e sede de sangue humano.

Ao voltaram à Terra, esses colonizadores entraram em guerra com os humanos que tinham permanecido no planeta, até o ponto do Armageddon, o evento apocalíptico acontecido 900 anos antes do primeiro capítulo. Desde então, os Methuselahs, com sua tecnologia avançada e poderes especiais, transformaram-se numa grande força política e militar, criando assim o Império. Os humanos, por sua vez, chamados por eles de "Terrans", são protegidos pela Igreja Católica, que transformou-se na grande detentora de poder militar humano.

Lembrem-se, contudo, que não foram apenas Bacillus que os colonizadores encontraram. As nanomáquinas Crusnik foram implantadas em embriões, dos quais apenas quatro sobreviveram: Cain, Abel, Seth e Lilith. Quando a guerra estourou, Abel, Cain e Seth se colocaram ao lado dos Methuselahs - conhecidos pelos humanos como vampiros, por conta das lendas antigas - e Lilith apoiou os homens.

Como os Methuselahs, os Cresnik também se alimentam de sangue, mas não sangue humano - sangue vampírico. Continuando... durante a guerra, Cain enlouqueceu e matou Lilith. Abel então levou o corpo dela para o Vaticano e lá permaneceu ao lado dela por 900 anos, lamentando-a, até que um fato novo o fizesse se levantar da tumba de Lilith e tomar o papel de defender os humanos.

Acho que isso é o suficiente para localizá-los sem entrar em grandes spoilers... Como eu disse anteriormente, Abel é o protagonista, e um grande protagonista. Normalmente, ele parece um padre atrapalhado, sempre com fome, adorável ao mesmo tempo que distraído. Quando as coisas ficam sérias, porém, ele demonstra uma personalidade não apenas sofrida, como eternamente em crise com a própria consciência - há vários capítulos em que essa crise fica marcante, ao ponto de ele repetir que sua forma Cresnik é a "marca de meus pecados".

Não é Abel, contudo, o único que se destaca no elenco. Todos os personagens de Trinity Blood têm um background sólido, são, individualmente, caracteres que mereceriam séries próprias. Abel trabalha para o Vaticano sob as ordens de Caterina de Sforza, duquesa de Milão, irmã do Papa, num grupo de elite conhecido como AX. Caterina é responsável pela diplomacia da cidade papal, e acredita na possibilidade de cooperação entre humanos e vampiros, trabalhando para isso durante grande parte da história.

Contra ela está seu irmão, o Duque de Florença e Toscana, Francesco di Medici, líder da Inquisição e filho bastardo do antigo Papa. Francesco odeia vampiros e não tem escrúpulos em usar o irmão Papa para conseguir seus objetivos. Alessandro XVIII, 339º Papa de Roma, por sua vez, começa como uma figura fraca, facilmente manipulado por seus irmãos, mas que, após ter sido seqüestrado em Albion, começa a nos surpreender.

Outros personagens que devem ser citados, sem dúvida alguma, são o Padre Tres Iqus, uma espécie de andróide com partes humanas e de senso de humor muito peculiar (cara, eu dei tantas risadas com ele... fora que ele faz maravilhas com uma arma na mão! Ele dá um espetáculo no segundo capítulo do anime!); Hugue de Watteau, o Sword Dance (um dos melhores mestres espadachins sobre os quais coloquei os olhos em animes); William, o Professor (adoro o carro voador!); Leon de Asturias (sem maiores comentários para o amante latino) e, é claro, irmã Esther Blachett.

Eu não vou contar muito da irmã Esther, porque ela é outra das boas surpresas da história. Mas adianto que, a partir do ponto em que ela aparece no mapa, as coisas começam realmente a engrenar - os primeiros episódios, em que há mais apresentação dos personagens que qualquer outra coisa podem se tornar um pouco cansativos -, especialmente quando somos afinal apresentados a grande inimiga, a ordem Contra Mundi, os Rosenkreuz, na figura do mestre das marionetes, Dietrich von Lohengrin.

Que me perdoe Cain, o louco, mas Dietrich é um vilão muito mais interessante, roubando a cena sempre que aparece. Eu, sinceramente, ADORO ele...

Há outros dois personagens que sinto obrigação de citar aqui, porque também reservo a eles um lugar especial no meu grau de preferência: o irmão Petro Orcini, chefe da Inquisição sob ordens diretas de Francesco (é outro que tem uns momentos cômicos muito bons) e o Nobre Methuselah Ion Fortuna, Conde de Mênfis.

Receio que não tenha mais espaço para explicar sobre todos esses personagens sem tirar a graça da história para vocês. Infelizmente, o anime termina na melhor parte - justamente quando Abel começa sua jornada atrás de Cain. Não que com isso a série perca em graça - só faz você, como eu, sentar-se no pc faminto para baixar o mangá - que, or sinal, também está sendo trazido ao Brasil pela Panini.

Trinity Blood, é, enfim, uma série para muitos gostos. O traço é bem acabado (comentário de fã-girl babenta: os homens da série são liiiiiiiiiindos), a trilha sonora é inspirada (outra que estou baixei para minha playlist...) e a história é repleta de suspense, intriga e lutas espetaculares. E, claro, sangue, MUITO sangue. Mais que recomendado para quem curte vampiros. Hohoho...


A Coruja


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Um comentário:

  1. Interessante... Muito interessante.

    O homem-andróide também é liiiiiiiindo? Ele muito me interessou - não sei porque, mas...

    XD

    Beijocas!

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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