13 de outubro de 2009

Bits and pieces - Para Cathy

E lá vamos nós, como prometido. Mais cinco pequenas cenas, dessa vez escolhidos os temas pela Cathy. Não vou falar sobre os nomes por trás das cenas da série passada, porque eu entregaria com isso um plot muito importante de...

Nã vou falar. Deixo que vocês fiquem por aí se perguntando o que estou aprontando dessa vez.


De resto, não devo usar minha tabelinha por algum tempo... Como disse, ela serviu como um exercício para me tirar do meu bloqueio criativo - tarefa para a qual já serviu. Vou me dedicar por esses dias a Ases (fiquei muito feliz com os comentários de vocês!) e algumas outras idéias que estão aparecendo do lado de cá.

Mas não se preocupem. A tabelinha estará a postos para meu próximo bloqueio, quando então voltarei com força à ela!

Até lá... fiquem com os pedidos da Cathy... e divirtam-se em tentar descobrir o que há por trás dessas cenas...

08. MELANCOLIA

A manhã estava particularmente fria. Apesar disso, ela não hesitou em sair de casa, respirando fundo tão logo a porta se fechou atrás dela, deixando que um alívio passageiro a tomasse.

Havia dias em que ela quase acreditava na farsa que estava vivendo. Dias em que se sentia como a jovem ingênua e fraca de tantos anos atrás; dias em que a melancolia a dominava – em que se arrastava, como se fosse apenas um corpo sem alma.

Aqueles eram os dias mais fáceis, quando ela quase não tinha consciência do toque dele, do medo, da ansiedade, do terror.

Eram também os dias em que ela mais se odiava, lembrando-se de quinze anos antes. Quinze anos que não tinham sido suficientes para curar suas cicatrizes.

10. CONTOS DE FADAS

Enquanto se aproximava, ela o observou se levantar, percebendo então que ele segurava algo.

Uma coroa de flores; botões de rosa.

A menina sorriu ao parar diante dele.

- Boa tarde. – ela o cumprimentou, lançando um olhar para a coroa – Isso é um presente para mim?

Ele balançou a cabeça afirmativamente. Ela abriu mais o sorriso, absolutamente deliciada com o presente e estendeu as mãos para recebê-lo, mas o garoto deu um passo para trás.

- O que foi? – ela perguntou, curiosa – Você não disse que era para mim?

- Se você aceitá-la... – ele começou, sério – Se você aceitá-la, de agora em diante, será minha noiva.

Ela o encarou por alguns instantes, em silêncio, os olhos claros percrustando-o com a mesma atenção com que ele a encarara no primeiro encontro de ambos. Então, com um ligeiro sorriso, ela soltou os cabelos – naquele dia presos em um rabo de cavalo - e estendeu a mão para ele mais uma vez.

- Eu aceito.

35. CHUVA

Uma garoa fina caía lá fora, as batidas ritmadas das gotas de chuva sobre o telhado criando uma melodia quase própria. Um pouco mais adiante, um antigo e antiquado relógio de pêndulo marcava as horas: passava da meia-noite.

Em pé diante da porta de vidro que levava à varanda, ele observava em silêncio a noite lá fora. Sempre em guarda, sempre atento.

Ele respirou fundo, forçando pouco a pouco seus músculos a relaxarem. Ainda que não quisesse admitir, estava cansado. Exausto, verdadeiramente. Mas, ainda assim, ele não abandonaria seu posto.

44. LUA

Uma nuvem no céu escondeu a lua. Por um instante, enquanto a escuridão voltara a reinar, ele enxergou a torre por aquilo que ela era – um amontoado de pedras posicionadas formando um círculo, cobertas por eras de musgo, apresentando todos os sinais de estarem expostas às intempéries.

Demasiadamente breve foi esse instante; o rapaz viu-se incapaz de escapar ao feitiço que já tomara sua vontade: quando o luar retornou, trazendo a torre de mármore consigo, ele estava completamente atraído por ela.

Sem ter consciência de seus passos, o jovem passou pelas colunas finamente trabalhadas que sustentavam a torre, penetrando um pequeno átrio, encontrando então as escadarias, iluminadas por uma luz que não pertencia a este mundo, no mais puro tom de branco que existia.

A escada subia em círculos, um grande caracol e, para ele, era como se tivessem se passado séculos enquanto subia, o fim dos degraus nunca aparecendo. Séculos e séculos, o tempo era eterno e insignificante.

Finalmente, ele chegou a um grande salão. O chão era coberto por finos tapetes de fios entrelaçados e coloridos, cujos padrões mudavam a cada vez que se tentava compreender os desenhos, revelando histórias do princípio dos tempos. Nas paredes, havia tapeçarias de sedas vermelhas e negras, homenageando grandes batalhas que estavam por acontecer.

Nada disso, contudo, prendeu a atenção do rapaz como o objeto que se erguia no centro do quarto, como um altar ou uma lápide, cobertas de estranhos e belos símbolos.

Sobre lençóis de seda e cetim, uma mulher dormia.

51. NOITE

Eram onze e meia quando as luzes se apagaram repentinamente. A morena rapidamente levantou-se, os sentidos todos alertas, mas logo se deixou relaxar novamente. Devia ter sido só um curto-circuito. Os guardas que faziam a ronda já tinham deixado seu posto há muito, à procura de um bom café. Mas se ocorresse qualquer coisa, ela saberia muito bem se proteger.

Sentou-se, abrindo a gaveta à procura de uma lanterna, que sempre deixava ali para alguma emergência. Antes, no entanto, que pudesse acendê-la, ouviu um baque surdo e, no instante seguinte, estava no chão, sentindo dores violentas no pescoço. Piscou os olhos, surpresa, a escuridão como que dilatando a dor. Foi quase por instinto que ela rolou para o lado, escapando de um segundo golpe.

- O que quer aqui? - ela perguntou com a voz firme, enquanto tentava se levantar.

Uma risada rouca. Mais um golpe. Apesar da tontura, seus reflexos foram rápidos o suficiente para que ela pudesse se desviar mais uma vez. Com o tênue luar que penetrava pela janela, ela pode ver o seu atacante segurar acima da cabeça encapuzada a bainha com que a golpeara. Ele deixou uma katana escorregar lentamente por ela, revelando a lâmina brilhante.

Rapidamente, ela correu até sua mesa, conseguindo tirar sua própria espada da cadeira antes que mais um golpe a acertasse. Lascas de madeira voaram contra seu rosto e ela sentiu como se tivesse levado uma picada um pouco abaixo da boca. Passando a língua pelo ferimento, ela reconheceu o gosto de sangue.

- Receio que não vá ter tempo de se preocupar com uma eventual cicatriz. - uma voz fria soou por trás da máscara - De qualquer maneira, não deverá sobrar muita coisa depois que eu terminar aqui.


A Coruja


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Um comentário:

  1. Oi!!!
    Obrigada! =D
    Amei, ficaram realmente muito boas... mais uma vez obrigada!
    A maioria fiquei sem saber quem são... caprichou nesses hein?!
    Só posso chutar que 'lua' é do Ases (repito: chute), e 'noite' é do Amaterasu. Agora quero saber quais são os outros... =]
    Beijos!

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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