9 de outubro de 2009

Ases (Parte I - O Às de Espadas): Capítulo 01





spades Capítulo 01 spades
'Obrigada pela parte que me toca. Como um ser mitológico, eu seria uma deusa ou uma ninfa?'


MAKING-OF

Acho que nunca enrolei tanto para escrever algo quanto enrolei nesse capítulo. Tudo bem, às vezes eu demoro para escrever uma história completa, mas, normalmente, uma vez que eu comece um capítulo, consigo ir sem problemas até o final.

Neste aqui, escrevi os primeiros parágrafos e só consegui continuar mais de um mês depois... Como já disse ontem, a coisa realmente começou a andar quando Alex e Emily começaram a implicar um com outro.

Aí, foi uma beleza... se não fosse pelo fato de que a história precisava continuar, eu teria passado o capítulo inteirinho com os dois se provocando.

É, eu sei, eu tenho uns parafusos a menos... Na verdade, ontem quando eu estava andando no corredor, caiu um parafuso no meu pé. Como não encontrei a origem do tal parafuso, só posso dizer que ele se materializou da minha cabeça...

Em todo caso... Vamos à história. Se você não leu o capítulo ainda, não leia a parte abaixo agora, porque estará recheada de spoilers.

Eu fui e voltei no plot de Ases milhões de vezes. Ela começou como um romance policial, dali a pouco eu a pensei como uma comédia (e mudei de Interpol para o período regencial na Inglaterra), mas, quando finalmente comecei a escrever e a compreender o caráter dos personagens (porque, claro, a essa altura, eles já tinham começado a tomar as rédeas), cheguei à conclusão de que essa é uma história essencialmente sobre perdas.

Não estou falando da morte da esposa de Thomas, ainda que ela seja a primeira 'perda' da história (e que acontece antes da narrativa começar). Nossos quatro personagens vão se perder e reencontrar muitas vezes antes que cheguemos ao final e a verdade é que os motivos para essas perdas estão, incrivelmente, todas fundamentadas nesse primeiro capítulo.

Leiam as entrelinhas. Vocês podem encontrar muitas pistas ali.

Sei que o começo ficou um pouco confuso, até porque nem todo mundo vai ser capaz de se situar historicamente. Claro que, como leitores, vocês não têm qualquer obrigação de saber que em 1816 foram instalados os primeiros lampiões a gás em Londres - esse tipo de background é coisa com a qual eu tenho de estar preocupada. E é fato de que, independente de historicismos, é meu dever prender a atenção de vocês com os personagens, não com detalhes e curiosidades como essa.

Mas decidi, para aqueles que se sentirem suficientemente curiosos, abrir espaço para um "glossário" com pequenas explicações para esses detalhes que fazem a história mais crível.

Por exemplo... Quando Emily mente para seus pretendentes dizendo que não tem permissão para dançar a valsa, existe um fundamento para isso: até 1825, se bem estou lembrada, a valsa era considerada escandalosa na sociedade inglesa, por conta da proximidade com que os parceiros dançavam e da intimidade criada pelo fato de que o casal dançava só entre si, não com parceiros (como na quadrilha e no minueto). As debutantes (ou seja, as jovens 'casadoiras' que tinham acabado de entrar no Mercado do Casamento - e, sério, eles realmene chamavam de Mercado, Marriage Mart) precisavam de permissão expressa de seus responsáveis para poder aceitar dançar a valsa.

A guerra em que Alex e Thomas lutaram juntos, na Espanha, também foi uma guerra real. Já falei anteriormente disso, quando expliquei sobre o ano de início da história - em 1815, Napoleão foi derrotado definitivamente por uma coligação capitaneada por ingleses e prussianos (os alemães de hoje, com a mistura de alguns outros povos), batalha que confirmou a fama do Duque de Wellington como o grande da Inglaterra.

Mas, em suma, sobre esses e outros tópicos, vocês podem ler no anexo.

Creio que tenham percebido também que o capítulo está contado no ponto de vista de Emily e Thomas. Quero que se lembrem disso também - as impressões dadas na história sobre Alex e Amelie são as impressões de sua prima e seu irmão, respectivamente.

Claro que haverá capítulos em que a visão se alternará entre Alexander e Amelie, mas, a princípio, essa primeira parte, é do Thomas. Thomas é o Ás de Espadas, que simboliza (ao menos pelo que pesquisei) a razão.

E por aí vocês já podem adivinhar que a história se divide em quatro partes e cada parte tem o nome de um dos naipes do baralho... cada naipe correspondendo a uma característica de um dos personagens.

E vou parar por aqui antes que eu comece a contar o final...



TRILHA SONORA


clique na imagem para fazer o download


A bem da verdade, eu não preciso contar o final, já que estou entregando para vocês de cara a trilha sonora que criei para a história... e, sendo absolutamente franca, a trilha está cheia de spoilers.

Existe um motivo pelo qual uma música se chama Vienna e outra se chama Nantes. Hohohoho...

Se vocês prestarem atenção nas letras das músicas, serão capazes de adivinhar muita coisa dos próximos capítulos.

Em todo caso... organizar essa trilha foi um dos fatores que me ajudou a dar rumo à Ases. Lembram o que eu falei sobre perdas? Eu só percebi esse importante ponto quando comecei a separar as músicas para cada personagem, ligando-os às letras, pensando nas cenas que elas inspiravam.

Modéstia à parte, acho que fiz umas excelentes escolhas musicais.

Feitas todas essas considerações (que com certeza já devem ter cansado vocês), espero seus comentários. Espero que gostem tanto do capítulo quanto do making-of - eu me divirto imensamente em abrir todo o processo criativo para vocês e gostaria de saber se vocês gostam disso como eu ou se eu falo demais e estrago parte do 'encanto' da leitura.

Dito isso, despeço-me pelo feriado. Tio Fafa chega hoje!


A Coruja


p.s.: Cathy, não pense que me esqueci de você. Seu pedido estará aqui na terça... ou antes, se eu tiver tempo de me sentar no computador o final de semana para passar tudo a limpo...


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4 comentários:

  1. Finalmente o pimeiro capítulo de Ases! Realmente ficou muito bom... Gostei muito das referências de tarot, embora a aparição do Julgamento tenha me dado um susto (eu sempre levo um susto quando essa carta aparece quando eu estou lendo) e meu conhecimento dos arcanos menores seja praticamente nulo. Os personagens também estão todos muito charmosos - o diálogo entre Alex e Emily ficou a sua cara, por sinal =P -, mas realmente o que me prendeu mais a atenção foi toda a pesquisa que você fez para a história... As vezes a parte mais divertida de se ler são os seus making-of's, sabia? Não sei se é porque eu também escrevo, mas eu acho mesmo interessante, então, não pare de fazer! XD

    De qualquer forma, estou ansiosa pelos próximos capítulos (frase de praxe), espero que você continue em breve! o/

    P.S.: Nunca encontrei um ventríloquo no ônibus, mas uma vez eu e minha turma de jornalismo infernizamos passageiros por mais de uma hora reclamando da desobrigação do diploma... Fiquei com pena do pessoal. Só o susto do discurso de "Boa noite, pessoal! Eu estou aqui pelo mesmo motivo de milhões de brasileiros: eu não tenho diploma universitário! E o pior é que isso nem importa mais agora!" deve ter sido traumatizante... u.u

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  2. Não cansa absolutamente nada seu Making-off. Eu adoro ele ^_^ E o primeiro cap. de Ases foi muito legal!!! (que elogio ridículo XP) Não consigo ler nas entrelinhas... Sou meio ruin pra essas coisas, mas vou tentar de novo. Quem sabe até o próximo cap. eu não tenha descoberto alguma coisa? Aiai, bom feriado Lulu, pena que eu tenha que fazer simulados nele....

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  3. Já ia esquecendo, gostei bastante também das curiosidades históricas! Adoro história ^_^

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  4. Oi!!!
    Adorei o capítulo, realmente bem escrito. Além do que, é realmente interessante ver como o autor se inspira para criar suas histórias. Não estragando de modo algum, e sim acrescentando encanto à história... =D
    Quanto as histórias, faça quando puder, desde que um dia eu as leia... rsrsrsrs
    Beijos!

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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