1 de setembro de 2009

Os Quatro Ases - Prólogo





(Eis a Roda da Fortuna que começa a girar...)
MAKING-OF


Enfim, o prólogo está no ar... E, eu posso apostar que ninguém entendeu nada com nada dele... Creio então que preciso dar algumas explicações, até porque isto é um making-of e, se é bem verdade que não vou entregar de bandeja todo o plot que tenho na cabeça para Ases, também é verdade que tem muita coisa sobre a qual posso conversar, que não chega a entrar para a história, mas que faz parte do processo de criação dela.

Para começo de conversa...


  • De onde cargas d'água veio esse título?


  • Ao menos para mim, essa é a parte mais difícil do processo de criação de uma história - junto à escolha dos nomes dos personagens. Se eu deixasse o "batismo" da história para depois que terminasse de escrevê-la, as coisas seriam mais fáceis, porque então eu saberia exatamente o ponto central dela e faria disso meu título.

    Mas dar um título é sempre a primeira parte do trabalho e isso vai influenciar todo o resto que virá depois.

    Eu, muito sinceramente, não tinha idéia de que título dar a essa história. Nos meus primeiros rascunhos (quando eu ainda estava determinada a escrever uma história passada nos dias de hoje), flertei com a possibilidade de usar referências à mitologia - a primeira coisa que me vinha à mente era, sempre e sempre, O fio de Ariadne.

    Só que eu não estava lá muito satisfeita da vida com esse título e eu não sabia realmente o que faria com ele... Até que, arrumando minhas prateleiras de livros semana passada, eu abri a esmo o livro Jonathan Strange & Mr. Norrell e fui parar numa cena em que Childermass está lendo a sorte de Vinculus num baralho de Marselha.

    A idéia do tarô então se infiltrou em minha mente e, ainda que, até então, não houvesse nada na história que nem remotamente tratasse de "destino", "cartas" ou "arcanos", eu soube que tinha que colocar "Ás" no título.

    Depois dessa, eu fui pesquisar o significado dos ases - que são arcanos menores no tarô. Não sou nenhuma especialista em esoterismo (na verdade, eu sou supersticiosa ao contrário: se eu ver uma escada à minha frente, tenha certeza absoluta que passarei por baixo dela), então fui descobrindo a coisa aos poucos e percebi então que, em vez de escrever uma única história, eu ia escrever quatro; uma para cada naipe.

    Só que ninguém na história sabe ler tarô... foi aí então que entrou a tal cigana do subtítulo, que aparece só no primeiro capítulo mesmo, para ler a sorte dos meus pobres personagens. Ela é um caractere secundário, mas a sorte que ela prediz para cada um dos personagens é que vai acompanhá-los por toda a história.

    Fora que ela vai dar algumas pistas sobre o passado dos personagens também... Nada que eu vá revelar de cara, é claro, porque adoro deixar os leitores com a pulga atrás da orelha... mas, é, deu para entender, né?


  • Quem são os coitados que Lulu vai torturar?


  • Bem, existem muitos personagens numa história, mas sempre há os principais... Não vou adentrar detalhes da personalidade deles agora, apenas fazer observações sobre a escolha dos nomes, até porque, eles não apareceram ainda e se eu contar alguma coisa, vai estragar o que eu tenho planejado...

    Sir Thomas Leigh: O nome do Thomas era Thomas desde a primeira idéia para essa história, quando eu ainda pensava em fazer uma história contemporânea e pesquisava o site da Interpol. Quanto ao sobrenome, eu saí à cata na lista da aristocracia britânica (huahuahuahua...). Os Leigh são uma família de Barões, título criado em 1643. Para todos os efeitos, Thomas é sobrinho do atual Barão - uma posição confortável, mas não necessariamente com título.

    Emily Hamilton: Emily veio da poetisa, Emily Dickinson. Se bem que Emily não tem nada de poeta... Ela também já existia na minha versão original da história, só que com o nome de Nicole, em referência, por sua vez, a uma personagem de Audrey Hepburn. Hamilton... não tem explicação, foi só o primeiro sobrenome que baixou na minha cabeça.

    Lady Amelie Leigh: Amelie é a irmã caçula de Thomas. Eu estava à procura de inspiração para o nome dela quando meus olhos caíram sobre o calendário na minha mesa e o endereço do Conselho Regional de Farmárcia: Rua Amélia. É, eu sei, vejam onde eu vou arranjar os nomes dos coitados dos meus personagens...

    Lorde Alexander Seymour: O nome Alexander veio primeiro, inspirado num livro sobre Alexandre, o Grande que estava sobre a mesa. Depois, e fui pesquisar marqueses... e achei o sobrenome do Marquês de Hertford interessante... Assim, meu Alex virou Lorde Alexander Seymour, Marquês de Hertford.


  • Em que ano estamos exatamente?


  • Essa é uma questão importante, porque alguns fatos históricos reais serão importantes para a trama.

    O ano exato do início da história é 1816, período da Regência. Esse é o ano em que Jane Austen publica Emma, seu quarto livro, um ano antes de sua morte. George III é rei, mas, como está louco de todo, a Grã-Bretanha é governa pelo príncipe regente, que virá a ser George IV. Um ano antes, para ser exata, em 18 de junho de 1815, ocorria a Batalha de Waterloo, na Bélgica, quando o Duque de Wellington, no comando dos exércitos britânicos e com a ajuda dos prussianos, derrota Napoleão.

    Bem, eu vou comentar mais sobre a questão histórica à medida que for escrevendo. Na verdade, estou pensando seriamente em criar até um glossário com as referências que eu for usando...

    Tentarei postar o primeiro capítulo ainda essa semana, para poder realmente engatar a história. Se não, vou escrevê-lo no feriado e posto dia 08. Até lá, quero saber o que vocês esperam dessa história.

    Aliás, para quem não estava conseguindo postar comentários, conversando com a Régis, descobri que algumas pessoas têm problema em comentar no blogger... a não ser quando abre a janelinha em pop-up... ou algo do tipo. Em todo caso, arrumei isso agora, caso tenham problemas em comentar ainda assim, me avisem na caixinha de recados lá do lado para que eu possa arranjar uma solução, ok?

    Até a próxima!


    A Coruja


    Arquivado em

    ____________________________________

     

    5 comentários:

    1. Já estou ansiosa para saber mais sobre esses quatro!!! E adorei a idéia do glossario ^^ vai fcilitar as coisas, além de ampliar minha cultura ;)

      ResponderExcluir
    2. Faltou um 'a' em 'facilitar'... Meu teclado tá um horror...

      ResponderExcluir
    3. Só uma perguntinha: Milorde é solteiro? XD

      ResponderExcluir
    4. Tarot é legal... Mas eu só sei ler com os arcanos maiores e uma cola. E resolvi dar um tempo depois que assustei todos os meus amigos essa semana. Além de mim mesma, é claro. -.-'

      A história parece bem interessante e foi divertido ver o processo de criação de títulos e nomes =D Eu tenho os mesmos problemas, por isso meus títulos só saem no último minuto. Bem, vou esperar pra ver a história (ansiosa), até a próxima o/

      ResponderExcluir
    5. Lulu, definitivamente eu e a blogosfera estamos em total falta de sintonia... O link do prólogo não abre! O Google me diz que o link está corrompido, mas não acrdito, pq senão o pessoal não conseguiria ler também...

      Será que eu é que estou com problemas no navegador?

      Ninguém merece... queria ler seu texto!

      Beijocas!

      ResponderExcluir

    Sobre

    Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

    Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

    facebook

    Arquivo do blog