27 de setembro de 2009

Bits and pieces - a terceira leva

Estou, aparentemente, num humor mais sinistro hoje, a se considerar o que escrevi... Mesmo em minhas tentativa de humor, sai-me com personagens meios maníacas... huahuahuahua...

A bem da verdade, as cenas de hoje são mais difíceis de descobrir quem são os personagens, então vou baixar para três o número de acertos para ganhar as apostas (hohoho...). Mas não façam apenas seus chutes; comentem também, digam o que acharam das cenas... Estou sentindo falta disso.


Dos excertos de sexta... Vocês acertaram o que chutaram. Na ordem de apresentação, Samantha (Expresso), Tetsu (Amaterasu - eu adoro a obsessão do Tetsu com as pernas da Maho... huahuahuahua...), Edward (New Dawn - e talvez esse seja o pontapé que eu precisava para desbloquear do capítulo novo de Dusk e assim tirar ND do hiatus em que estamos...), Kyle (Expresso e a trilogia dos Valetes) e Samuel (Expresso).

Desses personagens, ninguém aqui, mesmo os leitores mais assíduos do Expresso, conhecem Samuel. Então, vou adiantar alguma coisa sobre ele, só para que vocês tenham alguma coisa sobre o que pensar e tentar descobrir as pistas quando elas aparecerem.

E, sim, estou sendo propositalmente confusa. Afinal, não entregarei o ouro de graça, não é?

Samuel já apareceu numa fic especial publicada no Expresso. Ele é um personagem importante, embora só apareça mais para o final da história. E ele não é o que parece ser.

Dito isso... Vamos às cenas de hoje!


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22. FIM

Ela respirou fundo, tentando se acalmar; tentando manter as lágrimas seguras em seus olhos, o terror daquelas últimas horas pesando no peito, somado ao desespero por ter notícias dos outros.

Foi nesse momento que seus olhos cruzaram com a figura dele sentada numa das macas do canto da enfermaria, o braço preso numa tipóia, o rosto cansado, mas alerta, fixo nela.

Por um instante, sua respiração falhou e ela sentiu o coração bater violentamente contra suas costelas. Sem se dar conta do que estava fazendo, ela começou a caminhar na direção dele, de início, hesitante, mas logo cada passo se tornava menos incerto, mais rápido, até que, finalmente, ela estava se jogando contra o pescoço dele, soluçando, sem mais se importar com o choro.

Ele a abraçou com o braço bom, segurando-a firmemente contra si, como se temesse que ela subitamente desaparecesse, seus dedos entrelaçando-se nos nós dos cabelos dela, respirando profundamente contra sua fronte ao mesmo tempo em que beijava cada centímetro dela que lhe estava próximo.

Ela percebeu então que aquele era o fim. Os meses de separação, o medo, a incerteza, a ansiedade... tinham acabado. Finalmente acabara. E eles agora podiam, todos eles, começar a viver de verdade.

34. MORTE

Sua mão não tremeu quando levantou o braço, o dedo apertando o gatilho. Tudo aconteceu num átimo de segundo, mas, para ele, a cena se desenrolara lentamente.

Ele viu a bala penetrar no peito do soldado, a explosão da pólvora manchando o uniforme azul dos franceses, o negro logo se diluindo no vermelho sanguíneo enquanto ele caía de costas sobre outros cadáveres do campo de batalha.

Outro já aparecia em seu lugar e foi de modo automático que ele levantou a outra pistola e atirou de novo, o estampido perdendo-se em meio às explosões que ecoavam ao redor deles.

O segundo soldado caiu e só então ele se deu conta de que acabara de matar dois homens a sangue frio. E, pela primeira vez, ele compreendeu o que era uma guerra; pela primeira vez enxergou além das fanfarras e condecorações.

Ele era agora um assassino.

63. CHOCOLATE

Ele tentou. Desesperadamente. Mas chegou um momento em que os olhares assustados das pessoas que passavam por eles no mercado naquele final de tarde fizeram-no perceber que precisava tentar controlá-la. Ou, no mínimo, fazer alguma coisa que o impedisse de explodir em gargalhadas.

Ela o mataria, certamente. E escaparia da prisão alegando insanidade temporária por causa da gravidez – uma desculpa que ela vinha usando com bastante freqüência nos últimos meses.

- Sis... – ele chamou, observando a irmã largar mais uma braçada de caixas de chocolate dentro do carrinho, mal se equilibrando com o tamanho de sua barriga – Você não acha que... talvez... isso já seja o suficiente?

Ela ergueu os olhos para ele – olhos que usualmente eram calorosos e cheios de humor e que agora tinham um brilho quase maníaco –, resmungando algo sob seu fôlego.

- Eu preciso de chocolate. – ela praticamente grunhiu.

Por um momento, ele pensou se não seria mais seguro conversar com ela depois de providenciar uma focinheira. Obviamente, contudo, se ele sugerisse isso, ela o esfolaria vivo.

Apesar disso, seu olhar traiu incredulidade ao se desviar para o carrinho já quase transbordando de todas as marcas, tamanhos e tipos possíveis de chocolate. Aquilo não podia ser saudável. Especialmente para alguém da estatura da sua irmã.

- Bem... então, talvez você... não sei... devesse deixar alguma coisa para os outros compradores também?

Ela sorriu; um sorriso que nada tinha de bondoso, ou gentil ou divertido.

- Meu querido, querido irmão... – ela começou, dando um passo na direção dele. O rapaz deu um passo para trás e, para seu horror, descobriu que estava encurralado entre a prateleira e a barriga da irmã – Permita-me lhe dar uma valiosa lição: nunca, jamais, em tempo algum... – havia algo de sinistro no brilho por trás dos óculos dela – se interponha entre uma mulher e seu chocolate. Especialmente se ela estiver grávida. Afinal... você nunca sabe o que pode acontecer...

79. SOLIDÃO

A ladainha do professor era quase sonífera – ainda que, por algum mistério do universo, ela viesse a sentir algum interesse pela matéria, era difícil se concentrar naquele monte de baboseiras, especialmente estando com a cabeça tão cheia como agora estava.

Às vezes era difícil continuar. Por mais combatividade e revolta que carregasse no peito, havia dias em que queria apenas ignorar o resto do mundo e mergulhar na própria apatia. Dias em que daria tudo para ter as amigas consigo, rindo e fazendo graça, e reclamando do seu excesso de açúcar com o pombo.

Ela soltou um meio suspiro. Eles estavam muito longe, contudo, todos eles envoltos em suas próprias batalhas, alheios ao que acontecia ali na escola.

E tudo o que fazia, tudo em que se envolvia era, ao menos em parte, uma desculpa para não pensar em como se sentia só...

87. TRAIÇÃO

Os olhos deles se encontraram, apesar da máscara que ele usava. E ele não teve dúvidas de que o primo sabia quem ele era.

O outro avançou sem refletir, o barulho da chuva lá fora se misturando com o chapinhar de seus passos na água empoçada. Ele sentiu o ar faltar quando o primo segurou-o pelo pescoço, pressionando-o contra as paredes de zinco do galpão.

- Desgraçado! Traidor!

Podia sentir o calor que se desprendia do muro de metal às suas costas que rapidamente se pôs em contraste com o frio sobrenatural em sua garganta. A mão de bardo estava tomada por uma luz azul e os olhos turquesa do rapaz tinham se dilatado, a pupila desaparecendo.

Ele bateu os pés, percebendo que o outro o levantara. Estava já quase completamente sem fôlego quando finalmente conseguiu livrar-se do encanto de imobilização, reagindo.

O druida não foi rápido o suficiente para escapar de seu chute. A dor fez com que o moreno desse um passo para trás, soltando-o e, sem perder tempo, ele agarrou a arma mais próxima que tinha junto a si: um tubo de aço do tipo usado em fundações de prédios.

O outro gritou de dor quando sentiu as costelas quebrarem, caindo para trás, numa das poças, cuspindo sangue. Ele se apoiou no tubo como se ele fosse uma bengala, ainda sem fôlego, a garganta queimando.

O fogo se alastrava. Nenhum dos dois o percebera, contudo. Toda a missão daquela noite fora relegada a segundo plano em favor da rivalidade particular que um nutria pelo outro.




A Coruja


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2 comentários:

  1. Maldade, hein? Só sei três (ou acho que sei):

    63-Kieran (coitado do Kieran... Ficou entre a Mina e o chocolate)
    79-Lorelai (fica fácil com a a referência explícita ao Herman =P)
    87-Primo da Mina e do Lusmore, cujo nome eu não lembro, mas que está nas Hébridas e é um comensal (assim... minha memória para nomes nunca foi boa u.u Tá valendo?)

    A única coisa em quem eu consigo pensar para o 34 é em Os Quatro Ases. Para o 22 pode ser um bocado de gente. Eu chutaria os pombos de novo, mas o trecho está com um tom tão sério que resolvi não me arriscar. =P Isso é divertido depois que se começa, viu? Acertei algum? XD

    kissus

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  2. Oi!!!
    Hm, esses realmente ficaram mais difíceis... Identifiquei só alguns...
    Em 'Fim' é a Mina e o Isacc? Porque pareceu... (desculpa se a falha foi grande XD)
    'Chocolate', é a Mina e Kieran, eu achei legal ver como a personalidade dele desenvolveu, Mina grávida hilária, diga-se de passagem =D
    'Solidão' é a Lorelai, e eu gosto de vê-la com o Herman, não é excesso de açúcar... é fofo! =]
    'Traição' é Lusmore, não? O outro não consegui identificar, apesar de já ter visto na história, acho.
    E aí? Acertei algum?
    Beijos!

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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