11 de julho de 2009

Mitos, corujas e raposas em sábado preguiçoso




Passei os últimos dias numa onda de terrível humor, desejando arrancar cabeças, chutar traseiros e estrangular pessoas de uma maneira geral. Isso se deveu, é claro, a uma enxaqueca filha-da-mãe resultada de banhos de chuva, guardas-chuvas voadores, ar condicionado e troca de grau dos óculos.


Felizmente, a maldita dor de cabeça passou e passei meu dia de sábado de forma preguiçosa... de manhã, fui à FENEART com mamãe e de tarde apaguei depois do almoço, depois fiquei assistindo filme e ouvindo música.

Provavelmente vocês estão se perguntando o que é a Feneart... bem, é uma feira anual de artesanato aqui em Pernambuco, para qual vou todos os anos desde que começou, junto com minha digníssima genitora. Gosto de artesanato, gosto de ver as coisas diferentes que as pessoas criam, fora que é sempre na Feneart que começamos a comprar os presentes de natal.

Sim, eu começo a comprar os presentes de natal da minha lista em julho. Às vezes, antes, quando mamãe vai para São Paulo. Quando chega por volta do final de setembro, eu já tenho todos os presentes de natal devidamente embrulhados, esperando apenas os cartões para serem entregues.

Mas não é apenas por isso que eu gosto de ir à Feneart. Todos os anos - e quando digo todos os anos, é todos os anos MESMO - eu compro corujinhas para colocar na minha estante de livros. E é essa a imagem que vocês puderam ver na abertura do post: parte da minha coleção de corujas.

Há corujas de todos os jeitos espalhadas entre a estante de livros e o meu quarto... de madeira, de gesso, de quartzo e pedra-sabão; compradas e presenteadas, de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco, do Brasil, do Chile e do Peru, grandes e pequenas; corujas que servem para colocar incenso, corujas que são porta-livros, corujas que são pesos de papel e corujas que são porta-lápis.

Não é difícil entender porque batizei esse lugar de Coruja...

Essa minha fixação com corujas vem de loooooooongo tempo. Desde que fui capaz de ler sozinha e devorar os livros de Monteiro Lobato. Sim, a culpa é toda de Monteiro Lobato... e da Emília.

A maioria das pessoas que conheço nunca chegou a ler Lobato; apenas assistiu as várias versões da TV. Bem, devo dizer uma coisa: nenhuma das séries nem de longe tem o mesmo delicioso apelo da versão escrita.

Em todo caso... o que Monteiro Lobato tem a ver com minha obsessão corujal? Bem, veja que interessante... das aventuras dos membros do sítio do pica-pau amarelo, a minha história favorita é a dos Doze Trabalhos de Hércules, quando Pedrinho, o Visconde de Sabugosa e Emília viajam para a Grécia antiga e acompanham Hércules ao longo de seus doze trabalhos.

Foi por causa dos Doze Trabalhos que me apaixonei por mitologia grega (a qual depois se seguiriam mitologia romana, egípcia, viking, celta, japonesa, culturas indígenas em geral e... é, já deu para pegar o espírito, né?).

Em todo caso, na história de Monteiro Lobato, os deuses eram participantes ativos da ação (aliás, Emília chegou a invadir o Olimpo para roubar Ambrosia e Néctar...) e a grande torcedora de Hércules e deusa favorita da Emília era Palas Atena.

Isso aconteceu antes de Cavaleiros do Zodíaco, claro, quando Saori Kido estragou um pouco a personagem para mim. Venhamos e convenhamos, Atena não era nem nunca foi a mocinha indefesa à espera de ser resgatada nas histórias da mitologia. Pelo contrário, ela peitava qualquer um que se intrometesse em seu caminho, incluindo aí Ares, o deus da guerra e Pôseidon, senhor dos Mares.

Atena não apenas era uma grande guerreira, conhecedora das artes e estratégias da guerra, como também era uma 'patrona' das artes, do conhecimento; ela era a deusa protetora de Atenas, a cidade-estado mais desenvolvida da antiga Hélade (nome anterior a Grécia), onde, em seu auge, conviveram o grande estratego Péricles, o maior dos filósofos, Sócrates e alguns dos melhores escultores de todos os tempos, responsáveis pelo suntuoso Pathernon, como Fídias e Polícleto.

Céus! Quase todo o legado grego que constitui a base de toda nossa sociedade ocidental, incluindo aí a idéia de Estado e Democracia vieram de Atenas, a cidade de Palas Atena! Como não admirá-la???

E vocês sabem qual o animal símbolo de Atena? O animal que se tornou símbolo de inteligência, de sabedoria?

A Coruja.

O único animal que acho tão interessante quanto a coruja e que representa uma virtude (ou não, a depender do caso) que admiro é a raposa. Eu já gostava de raposas antes de conhecer a história das kitsunes no Japão; sua figura se destacara para mim na leitura das dezenas de fábulas em que raposas aparecem como as "espertas", as "astuciosas".

Na verdade, eu cheguei a cogitar a possibilidade de nomear esse blog com raposas também... Mas raposas não vivem empoleiradas, então, não daria muito certo colocar a coitada da raposa num teto de zinco quente.

É, eu sei, eu já comecei a não fazer sentido de novo. Então, já que não estou fazendo sentido mesmo, vou deixá-los com o que estou escutando agora... Michael Bublé. Se você não conhece o Bublé... bem, ele é um cantor que faz um certo estilo Sinatra, com uma voz deliciosa e canções muito gostosas de ouvir...

Cara, eu acho que vou usar Sway para entrar para a valsa... HUAHUAHUAHUA...




Quando o ritmo de marimba começar a tocar
Dance comigo, me faça balançar
Como um oceano preguiçoso abraça a praia
Me segure apertado, me balance mais

Como uma flor se curvando na brisa
Curve-se comigo, balance com alivio
Quando dançamos você tem um jeito comigo
Fique comigo, balance comigo

Talvez outros dançarinos estejam na pista de dança
Querida, mas meus olhos só vão ver você
Só você tem aquela tecnica magica
Quando balançamos eu fico fraco

Eu posso ouvir o som dos violinos
Muito antes deles começarem
Fico emocionado como só você sabe como
Me balançar devagar, me balance agora...



A Coruja


____________________________________

 

Um comentário:

  1. Aaaaah, que estante fabulosa! Pratchett, Gaiman, Tolkien e Lady Susanna Clarke! Curiosidade: o que achou de Jonathan Strange e Mr. Norrell? É um dos meus livros favoritos do universo e eu vivo recomendando pra todo mundo, mas até agora ninguém leu (uma amiga minha até o comprou, mas não leu ainda). Ah, e os livros do Monteiro Lobato ruleiam grandemente...minha madrinha tinha a coleção completa, e eu adorava ir pra lá nas férias só pra poder ler eles. Amo corujas e kitsunes, mas tenho uma fascinação absurda por gatos e guaxinins. Sim, guaxinins! Um dia terei um de estimação ;P

    ResponderExcluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog