6 de julho de 2009

Coisas bizarras que se tornam cotidiano quando seu irmão é um estudante de medicina...

Eu deveria estar escrevendo a última parte do meu "super" artigo sobre vampiros, mas estou meio cansada para tanto. A farra de aniversário do pai foi um pouco além do horário previsto e acabamos voltando só hoje de manhã para o Recife. Para completar, inventei de fazer uma geral nas minhas gavetas e me livrar de todos os papéis desnecessários relacionados à faculdade (e outras coisas mais).

Estava eu nessa arrumação quando dei de cara com uma pasta completamente cheia de exames.
Coloquemos nos seguintes termos: Lulu é terrivelmente sedentária, come muita besteira, herdou um DNA que a fez uma alérgica a tudo e só vive escrevendo. Resultado? Dezenas de raios-x do pulso por causa das diversas tendinites, do joelho e calcanhar por uma história envolvendo saltos altos demais e uma escada muito estreita, dos seios da face e do pulmão por conta das diversas vezes em que meu guarda-chuva quebrou e eu tomei banhos de chuva, além de endoscopias com lindas fotos do meu estômago, da minha garganta e das minhas fossas nasais; milhares de exames de sangue, tomografias e, é... deu para entender né?

Considerando que a pasta estava recheada com tudo o que fiz em termos de exames nos últimos cinco anos - desde que entrei para a faculdade, para ser exata (interessante, não? Meus problemas começaram quando passei a ser uma universitária...) -, ela era beeeeem gorda e ocupava espaço demais nas minhas gavetas já muito cheias.

O que Lulu decidiu fazer? Jogar tudo fora, é claro. E eis a deixa para meu irmão entrar na história.

Para quem não sabe, tenho um irmão caçula que entrou na faculdade de medicina esse ano. Felipe está empolgadíssimo com sua escolha universitária, tanto que costuma, à hora das refeições, colocar toda a família a par de seus estudos em bioquímica, anatomia dentre outras coisas do tipo.

Adoro quando ele começa a discutir doenças à mesa, especialmente quando minha mãe - que é bioquímica/farmacêutica - divide o entusiasmo da discussão com ele. É maravilhoso ver as almondêgas boiando no molho enquanto eles falam sobre alguma substância epicamente impronunciável.

Quase me faz desejar que alguém à mesa tivesse se formado em Direito ou entendesse do assunto para que eu também pudesse falar enigmaticamente no meu próprio dialeto juridiquês.

Fora o diálogo mediquês do santo jantar de todo o dia, o fato de ter um irmão estudante de medicina faz com que ele se sinta no direito de diagnosticá-la e depois dizer que é tudo coisa da sua cabeça.

A melhor parte, contudo, é quando você está prestes a picotar seus milhares de raios-x para jogar no lixo... e ele aparece subitamente para observar as chapas e decidir que quer guardar aquilo para ele.

Sim, meu irmão guardou a maioria dos meus exames, tendo se deliciado de uma forma bastante perturbadora em observar a sombra do meu coração, os ossos do meu crânio e contar todas as pequenas junções dos meus dedos.

Acho que esse é o máximo de atenção afetuosa que meu caríssimo irmão já dedicou a mim. Nada de comentários irônicos, só admiração pelos ossos. E o que mais houvesse no caminho...

Ok, feitas essas considerações que nada têm a ver com nada, vou indo. Meu novo objetivo de vida hoje é aprender a jogar pôquer. Seis quilos de carne, seis gradeados de cerveja, não sei quantas garrafas de vinho e doses de uísque depois, cheguei à conclusão de que o melhor das festas da minha família é juntar o povo para uma partida de dominó ou carteado.

Estamos pensando seriamente em abrir um cassino lá em Gravatá...

Ok, deixem-me ir antes que eu fale mais alguma coisa sem noção que ninguém está interessado em saber...


A Coruja


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3 comentários:

  1. Eu trabalhei no SUS aqui de São Paulo durante cinco anos. O resultado é que todos os meus parentes pedem a minha opinião sobre exames e afins antes de mostrá-los para seus respectivos médicos. Eu ainda tenho todos os exames que eu fiz por conta do meu problema com pedras nos rins, e me dá vontade de jogá-los fora, mas vai saber... rsrs

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  2. Tenho pais médicos, e tudo que ouço são pessoas pedindo opitnioes sobre diversas dores e resfriado no elevador ^^ é quase uma consulta rápida rsrsrs e o pior é que pretendo ir pelo mesmo caminho....tenho que estudar mto pra passar esse ano em medicina (a loca).... Mas devo dizer que não entendo o seu irmão, apesar do meu pai guardar mtos raios-x.....

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  3. parece lá em casa, eu faço veterinária e meu padrasto é médico, então toda a refeição a gnt discuti doenças e fazemos comparações!!^^
    pôquer é muito bom! www.pkr.com tem um jogo muito legal!

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