26 de junho de 2009

Quanto vale a liberdade?

Essa pergunta foi meio que um calo no meu pé enquanto escrevia minha monografia e dediquei um bocado de tempo a pensá-la, ainda que não tenha escrito uma linha sobre o assunto no trabalho propriamente dito.

Para tudo existe uma justificativa (só depende do receptor da mensagem ser ou não crédulo) e a liberdade é uma justificativa constante para a guerra. Ela é algo como o princípio da auto-determinação dos povos. É a idéia do direito à Resistência. Da desobediência civil.

Sob a desculpa de busca da liberdade, foram perpetradas alguns dos atos mais execráveis da história humana. Dizem os teóricos que há aqui uma atitude de ponderação – um mal menor tendo em vista um grande bem.

Os fins justificam os meios.


Embora eu admire muitas das idéias de Maquiavel, não sou particularmente maquiavélica – no sentido estrito do termo. Não creio que fins justifiquem meios, embora possa defender uma posição contrária se estiver sob efeito de forte emoção. Nem sempre conseguimos ser totalmente racionais, ao final das contas.

A dificuldade aqui é que essa atitude de ponderação incidirá sobre dois direitos fundamentais. E como escolher exatamente qual seja o mais importante? Como valorar, como dizer qual é preferível: uma vida em escravidão ou uma morte em liberdade?

Como eu disse, é uma questão espinhosa. Tendo de escolher entre um e outro, qual você escolheria?

Ainda não consegui chegar a uma conclusão. Não há sentido em ser um cadáver livre. Mas que sentido pode haver numa vida como escravo, incapaz de agir em suas opiniões, seus sentimentos, tendo toda sua existência regulada por outra pessoa?

Por óbvio, todos queremos viver e ser livres. Para defender essa liberdade, justificamos uma guerra. E uma guerra, é claro, pressupõe assassinato em massa, sofrimento, injustiças – não sejamos tolos de acreditar que em meio à luta, combatentes seguem à risca o código de “honra” da guerra ou quaisquer idéias de direito humanitário.

Pergunto novamente... justifica-se? A luta pela liberdade justifica o horror da guerra?

A verdade é que os governantes sempre arranjarão desculpas plausíveis e altamente humanitárias ou em seu direito para justificarem jogar seu Estado numa guerra.

Posto isso, alguém poderá dizer que não existem alternativas. Que, ao final das contas, o anseio pela liberdade justifica, sim, uma guerra. Dou então o exemplo de Ghandi, que incitou a desobediência civil pacífica.

Jogo então a pergunta para vocês. Quanto vale, afinal, a liberdade? Ela justifica tudo? Ou há um limite? E que limite seria esse?


A Coruja


____________________________________

 

2 comentários:

  1. Olá Lu, faz tempo que não falo contigo.
    Vamos tentar analisar sua pergunta.
    Ela trata de um conceito muito amplo. Teríamos que especificar um pouco mais.
    Liberdade por si só é muito vago, visto que a maior parte do tempo quem nos tolhe a liberdade somos nós mesmos.
    Um exemplo banal - filhos. Acabou a liberdade
    Sentar-me aqui no PC tranquilamente para falar com você - Acabou minha liberdade (pelo menos de segunda a sexta ou sábado).
    Nós mesmos nos prendemos a várias coisas que nos tiram a liberdade. Eu diria que temos níveis de liberdade, níveis de escolhas. Se eu quiser uma coisa (seja algo material ou simplesmente o bem estar de outra pessoa que dependa de mim) eu tenho que me prender a um sistema para que possa conseguir isso.
    Telefonia fixa no estado do Rio você está presa a telemar, em São Paulo a Telefônica. Isso pode parecer talvez uma coisa boba. Boba até o momento onde queira algo e você se encontra num beco sem saída onde dependa disso.
    A priori para o limite disso em se tratando de um indivíduo eu me utilizaria de um velho chavão "A sua liberdade termina onde começa a do outro", a coisa funciona mais ou menos por ae.
    O valor dela? Isso depende do seu conceito de valor. Há pessoas que abrem mão de sua liberdade por um amor ou uma paixão com um sorriso no rosto e um suspiro com olhos entreabertos. O cidadão comum abre mão de sua liberdade ou direitos civis em troca de uma suposta "segurança" e chegam até a aplaudir e pedir por isso - sistemas de câmeras, vasculhar a vida de um indivíduo, e até mesmo a intervenção sobre seus direitos, tudo em nome da segurança e o bem estar de todos, é uma coisa que os governantes de um país faz com sua população e ela não reclama, ou até mesmo incentiva isso por parte de seus líderes, toque de recolher, censura, ir e vir pra onde quiser, escuta telefônica, quebra de sigilo bancário, violação de correspondência. Não querendo cair em lugar comum, mas os Estados Unidos é um ótimo exemplo disso. Em luta contra o "terrorismo", que o governo lobotomizou sua população, o indivíduo abre mão de sua liberdade e direitos por troca de sua segurança.
    Se olharmos com cuidado podemos observar coisas mais sutis como por exemplo a perda da sua liberdade de fumar. Sim eu escrevi fumar! Agora é proibido fumar dentro de qualquer ambiente. Você não tem liberdade de fumar num lugar mesmo que o local tenha área de fumantes (se não me engano há uma liminar no congresso derrubando isso). A lei seca tira a liberdade de um casal sair para um jantar romântico, consumir uma garrafa de vinho e voltar para sua casa (ou outro local qualquer) - tendo em vista que esse tipo de pessoa não é o alvo da lei seca, e sim o inconsequente (que na maioria das vezes nem habilitação tem) que saí pra encher a cara e acaba matando pessoas; ou a minha preferida, o cinto de segurança. Para fumo e bebida existe uma legião de seguidores que carregam a bandeira contra o uso desses produtos (cada um tem seus motivos e razões), agora o cinto de segurança eu não entendo, sendo que na verdade, caso você sofra um acidente o único a se prejudicar é você mesmo. Isso tudo para mim é reflexo de um governo que tem um sistema de saúde falido e engessado pela corrupção, que não tem dinheiro para tratar dos males de tudo isso que falei.
    Pessoas trocam sua liberdade pela chegada de um filho não esperado.
    Ela justifica tudo? Depende dos seus valores. Se ela estiver lá no topo da sua lista de prioridades (mesmo que num nível superficial) e ela não invada ou prejudique a liberdade do próximo... Sim, ela justifica tudo.
    Tem outro ditado que também adoro "Você não é dono daquilo que possui, o que você possui é que é o seu dono".
    Como não consigo escapar da minha veia cinéfila eu sugiro "Coração Valente" de Mel Gibson. Dá uma visão e um conceito bem legal sobre liberdade.
    No mais eu deixo um abraço e um beijo.
    Até mais Lu

    ResponderExcluir
  2. Não acredito que justifique tudo, mas há certas circunstâncias em que é necessária uma intervenção mais drástica - que Coração Valente demonstra perfeitamente.

    E, ainda na trilha de nosso estimado Wallace, eu digo que prefiro, sim, ser um cadáver livre se a minha morte servir para tornar livres os meus irmãos que ficaram vivos.

    ResponderExcluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog