30 de junho de 2009

Mais estranho que a ficção...

Quem acompanha os noticiários deve ter visto a história da deposição de Juan Manuel Zelaya, presidente de Honduras, no dia marcado para uma consulta popular sobre a possibilidade de se eleger uma nova assembléia constituinte a fim de mudar a Constituição do país.

Não vou entrar em detalhes sobre minha opinião do assunto, mesmo porque não conheço nem a situação política de Honduras, nem suas leis.
A única coisa que observo é que modificações desse tipo são geralmente um prenúncio de ditadores eternizados no poder - no melhor estilo Hugo Chávez de ser (de quem, aliás, Zelaya é aliado). Não sei se esse é realmente o caso de Honduras e, francamente, isso não está na pauta do dia.

O importante é que lá estava Juan Manuel, confortável em sua cama, talvez sonhando com carneirinhos (talvez com o grande comício de reeleição) quando, às seis horas do domingo foi tirado da cama por um grupo simpático de 300 militares que o levaram, de pijamas, para a Costa Rica, onde ficou exilado. A ação teve direito até a troca de tiro com os 10 seguranças do presidente (alguém percebeu a proporção?), sem divulgação se houve feridos ou mortos.

Observem todo o absurdo da situação... primeiro, acordaram o pobre coitado num domingo - domingo! - às seis da manhã, o que é uma heresia, ninguém deveria ser obrigado a acordar tão cedo num final de semana. Para quem acorda naturalmente nesse horários (como moi), é uma coisa, mas ao menos respeitamos aqueles que não são insones como nós...

Depois, estavam tão apressados em se livrar do rapaz (não que ele seja um rapaz...) que não tiveram sequer a cortesia de esperar que ele trocasse de roupas. De pijama mesmo, foi tirado de casa e do país. Aliás, duvido muito que deixaram ele levar uma mala ou mesmo ter tempo de pegar a carteira, de modo que Juan Manuel se viu subitamente com uma mão na frente e outra atrás, usando apenas o pijama do corpo.

O pior da história é que esse não foi um ato aleatório de violência, mas uma ordem da justiça; para ser exata, da Suprema Corte de Honduras.

Pelo que entendi lendo sobre o assunto, parece que o presidente tinha uma pendenga com o Judiciário, o Exército e o Congresso. Atacado por todos os lados, num simulacro de ação legal, Zelaya foi levado a uma base aérea e de lá despachado para a Costa Rica.

Já li alguns livros ficcionais sobre golpes de estado. Geralmente, eles envolvem prisões em massa, canhões e baionetas (ou fuzis, a depender do período histórico). Há uma tentativa desesperada de fuga, mas no final, todos são pegos e quem quer que seja o vilão, revelará nesse ponto todos os seus planos malignos para o mocinho, dando assim armas para que ele o derrote ao final - se é que o golpe não é ao final e o mocinho é quem pegou o bandido.

De alguma forma, só consigo pensar em Alexandre Dumas agora... Não que O Conde de Monte Cristo seja um golpe de estado... mas lembra esse plot... Na verdade, Os Irmãos Corsos têm um quê mais de luta política contra o tirano maligno...

O caso é... coisas como um presidente deposto sendo escoltado de pijama por aí não acontecem na ficção. A verdade é que um único escritor não tem como competir com as peculiaridades de todo o gênero humano.

Se formos pensar bem, contudo, até que existe bastante lógica em um presidente deposto usar pijamas em sua deposição... Afinal, os pijamas são o símbolo máximo da aposentadoria e, de certa forma, Zelaya estava entrando num programa de aposentadoria compulsiva quando foi tirado da cama naquela manhã de domingo.

Depois de tudo isso, apresento-lhes agora a pergunta que não quer calar - procurei fotos na internet, mas não achei nennhuma que me desse a resposta: qual era a estampa do pijama do senhor presidente?


A Coruja


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3 comentários:

  1. Dizem coisas mas no final essas situações saem sempre melhor e mais originais que qualquer livro de ficção. Sério, isso chega a dar inspiração.

    Lulu, minha aposta é para o pijama com estampa de carneirinhos, azul bebé. É só esperar algum paparazzo ou algo do género ter lá estado e publicado uma foto desta aposentadoria...

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  2. ... Eu não sei o que é mais extraordinário, o presidente deposto de pijamas, ou Michael Jackson retornando ao seu planeta natal. XD

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  3. São coisas que só as Américas podem oferecer para o mundo...

    Também achei surreal essa deposição de pijamas, e convenhamos, esse Zelaya é um sujeito boa praça. Coitados dos revolucionários que ousassem me acordar num domingo às seis da manhã!!! Seriam dizimados a unha pelo proto-ser que sou a essas horas mais do que matinais!!!

    O pijama deve ser de bolinhas, para combinar com o chapéu e o bigodón do ex-presidente!

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