13 de maio de 2009

Por Dentro da Cabeça da Autora: Marauders - Parte III

Se me perguntassem qual história mais me marcou das que publiquei como Silverghost, a resposta talvez surpreenda a maioria dos leitores, já que não é nenhuma das minhas “grandes trilogias”. O pessoal costuma ficar bastante dividido entre Hades e Valetes... mas Promessas é, sem dúvida, minha preferida.

Promessas se diferencia das minhas outras histórias por não ter muito humor. É uma narrativa mais amarga e sombria, em que as cores da guerra se fazem presentes com muito mais freqüência que em suas companheiras.

Para mim, ela foi um marco na evolução do meu estilo de escrever. Da gramática aos argumentos, a diferença entre ela e meus primeiros escritos é quase gritante.

Eu me lembro de que, ao terminar cada capítulo, eu estava ofegante e exausta, como se tivesse corrido uma maratona. Em muitos aspectos, Promessas foi um dos maiores desafios a que me propus.

Antes dela, exercitei um pouco desse lado mais maduro dos personagens em Patético, que começara como um capítulo único e, quando me dei conta, estava pelo quarto.

Após a Tempestade também tem esse aspecto, ainda que os personagens sejam retratados consideravelmente mais jovens e irresponsáveis. Essa fic resume tudo aquilo que me fez escolher os marotos como “alvo” para minhas primeiras experiências como escritora diante de um público maior que meus conhecidos do dia a dia: a firme lealdade, a arrogância jovem de quem tem o mundo aos seus pés, os vislumbres do que eles se tornariam no futuro como fruto e conseqüência de suas decisões.

Foram essas histórias que me deram a base para avançar mais um passo, com a trilogia (pois é...) dos Valetes, em que fiz minha primeira incursão no mundo dos Universos Alternativos – UA -, que não deixam de ser, para todos os aspectos, histórias originais.

O Clube dos Valetes de Copas surgiu de um trabalho de História da Comunicação sobre folhetins. Transformar os marotos em completos anti-heróis de uma organização criminosa meio mafiosa foi, provavelmente, uma das coisas mais interessantes que fiz.

Os Mistérios de Londres, O Nome do Jogo e O Sétimo Selo representam também uma mudança do foco dos personagens; uma transição entre duas gerações e esse também foi um fato novo nas histórias da Silverghost – até então eu evitara de todas as formas usar os personagens centrais dos livros da Rowling, preferindo mexer com aqueles que ela deixara de escanteio e em cima dos quais eu podia inventar o que bem entendesse.

Fora isso – e sem grande surpresa para quem me conhece – a trilogia mexe com questões de guerra – a II Guerra Mundial para ser exata. Bem, minha monografia é sobre guerra; a maioria das minhas histórias tem algo relacionado a revoluções, combates e conflitos nacionais, ideológicos e coisas do tipo.

Além de ter alguma relação oculta com o número três, eu também tenho uma estranha fixação pelo assunto da história militar...

A trilogia dos Valetes rendeu ainda uma outra experiência única: o spin-off Walking Down the Aisle, meu caríssimo “romance de banca”. Não vai demorar muito para que eu escreva aqui sobre a importância hormonal de romances de banca, mas, até lá, deixo apenas o comentário de que morri de rir enquanto escrevia essa história. Comentarei mais sobre ela quando chegar ao tópico da Mina e do Isaac.

Por cima, creio que terminei a parte da minha experiência de escrever com os marotos. James, Sirius, Remus, Peter e o resto da antiga geração, incluindo aí Lily, Severus e minha personagem original mais querida pelos leitores: a Susan.

Hum... talvez falar um pouco da Susan seja interessante, afinal, ela foi um dos motivos do sucesso de Hades e dos Valetes e, quando a matei em Hades, recebi inúmeras ameaças de morte de leitores desesperados pelo que eu aprontara com a Su.

Confesso que jamais entendi muito bem a fixação que o pessoal desenvolveu com a figura da Susan. Ela não tinha nenhuma característica especial, nenhum traço do habitual “Mary-sue” que abunda nas personagens originais que colocam com o Sirius nas fics de HP. Ela é meio italiana, meio inglesa, mas não tem nada de beleza exótica; é um bocado paciente, talvez até demais, considerando que deu o ombro para que o garoto de quem gostava chorasse as mágoas por outra.

Ou, talvez, seja exatamente por esses fatores que a Su conquistou a admiração do público. Tirando, é claro, o detalhe de ser uma bruxa, a Susan é uma menina comum, muito próxima do nosso dia-a-dia. Mesmo assim, foi capaz de colocar uma coleira no senhor Almofadinhas, coisa que quase o inteiro fandom de HP desejava.

De resto, há algumas outras pequenas histórias que escrevi mais como estudos ou mesmo resposta a desafios. Pela luz dos olhos teus e Soneto da separação são songfics, vieram antes mesmo de Hades e foram, por assim dizer, um resumo de intenções. Muito do que eu tinha planejado para desenvolver no futuro estava de certa forma implícito ali. Via Láctea foi uma preparação para Doze Anos e é uma peça melancólica. Ela é o retrato mais perfeito da imagem que eu tenho do Remus na minha cabeça: um homem meio amargurado, sozinho; um pária por sua condição de lobisomem apesar de toda sua inteligência. Alguém que só experimentou verdadeira camaradagem uma vez na vida e que teve tudo o que valorizava roubado de si na guerra.

Pontos de Vista e Conto de Inverno surgiram de desafios do A3V, mais especificamente, de pedidos da Mylla Evans, a grande defensora da Marlene McKinnon. A primeira é uma fic até divertida, mas eu prefiro a segunda, com seu jeito mais melancólico.

Contos de Fadas Mordentes e Na sua estante trazem o Remus de novo, fazendo par com a Tonks. Engraçado que eu escrevi essas fics muito por insistência dos leitores, que gostava da idéia desse casal antes mesmo dele se tornar oficial. Elas não são exatamente da época dos marotos, mas coloco-as nessa categoria porque, ao final, Remus está nelas.

Das duas, minha preferida é Fadas Mordentes, por conta da brincadeira da "caça ao tesouro". Sempre gostei de fazer referências cruzadas nas minhas histórias (vocês as escontrarão em, praticamente, todas as minhas histórias), mas nenhuma é tão recheada de referências quanto ela.

Fechando o cortejo das fics da Silverghost com os marotos, A Última Canção de Ninar é outra peça melancólica, escrita para um dia das mães, antes de a decepção de Relíquias Mortais virem à tona. Eu a considero particularmente doce.

Ok, na próxima parte, comentários sobre os outros personagens que usei como Silverghost (incluindo aí o trio) para então partirmos para o Expresso e todas as loucuras e diatribes de Mina MacFusty.

A Coruja

p.s.: estarei de hoje a sábado em um congresso de Direito e não tenho certeza se terei tempo para escrever alguma coisa por esses dias. Quanto aos novos comentários, Rafa, Giu, eu me lembro de vocês sim. Ei li todos os comentários que me mandaram (e mandam) até hoje e não é muito difícil lembrar de alguns pseudônimos ou mesmo do pessoal que escrevia reviews enormes (nunca irei entender porque eles se desculpavam depois... adoro reviews enormes...).


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