13 de maio de 2009

Por Dentro da Cabeça da Autora: Marauders - Parte II

Nunca entenderei muito bem minha fixação por trilogias. Perdi a conta de quantas histórias escrevi no formato de trilogias. Divididas em três partes. Ou três capítulos. Tenho certeza que a numerologia explica.

Minha primeira excursão pelo humor resultou numa trilogia: Essência Feminina, Marauder’s Week e O Guia da Coleira são uma das coisas que mais gostei de escrever na vida, apesar de todas as saias justas em que meti os personagens e eu mesma.

Histórias não surgem do nada. Duvido muito que uma pessoa que tivesse passado a vida completamente isolada numa caverna fosse capaz de criar uma história. Porque, por mais absurda que possa parecer uma narrativa, tenha certeza de que ela ainda tem um pé na realidade, no cotidiano e nas observações do mundo pelo autor.

Agora... os marotos que criei em cima dos personagens da Rowling tomaram muito de suas personalidades emprestadas a alguns dos meus melhores amigos e uma série de situações reais inspiraram algumas das passagens mais interessantes que escrevi.

Essência Feminina exigiu um cuidado extra: a opinião masculina sobre uma série de características e cacoetes femininos. A guerra dos sexos é uma constante na literatura e o que poderia haver de mais extremo que ver dois metidos a conquistadores se transformarem, para todos os meios e propósitos, em garotas?

Lógico que a busca por essa opinião rendeu momentos embaraçosos para mim; por sorte, a “entrevista” foi feita por telefone, ou eu provavelmente teria sofrido um derrame no decorrer das perguntas absurdas que os personagens estavam me forçando a perguntar.

Marauder’s Week, a continuação, é a minha parte favorita dessa trilogia. As claques cômicas estão na maioria dos diálogos e eu nunca escrevi nada mais sem noção e ridiculamente satisfatório que Sirius Black em primeira pessoa.

O Guia da Coleira por A. Black, com comentários absolutamente necessários de T. Potter; a última parte da história, não teve a mesma graça para mim que sua antecessora, ainda que guarde muitos bons momentos – a cena em que Andromeda coloca fogo no restaurante do irmão de Ted no meio do encontro dos dois e depois tenta apagar o incêndio com uma chaleira...
Corri para a chaleira e voltei para o salão, derramando a água fervente sobre todos os focos de chamas pelos quais eu passava. Mas aquilo não estava sendo suficiente. De início, eu conseguia apagar, mas logo o fogo voltava com força redobrada.

Voltei para a cozinha e enchi a chaleira de novo. E voltei para o salão. Voltei para a cozinha. Voltei para o salão. Voltei para a cozinha. Voltei para o salão.

- Andrômeda, sua maluca!

Era a voz de Tiago. Eu me virei, ainda derramando a água da minha chaleira. Tiago estava em um nicho – o mesmo que eu supusera ser a entrada para as escadarias – sem bigode e com seus óculos normais. Atrás dele, Ted tossia, tentando ver através da fumaça. Eles não podiam se aproximar de mim – aquela área estava totalmente tomada pelo incêndio.

- Esperem aí que eu vou apagar o fogo! – gritei, apesar de sentir minha garganta totalmente seca.

Acabei de despejar o conteúdo da chaleira e voltei para a cozinha. A torneira tinha explodido com a pressão por causa do calor e agora a água jorrava, fumegando, enquanto o fogo se alastrava lá dentro.

Enchi minha chaleira com certa dificuldade, queimando as mãos por conta da água estar quente, e voltei para o salão, começando a apagar o fogo no caminho até a escadaria. Tiago começou a pular e parecia estar arrancando os cabelos.

- Sua louca, o que pensa que está fazendo? – ele gritou, irritado.

- Apagando o fogo, oras! – eu respondi, no mesmo tom.

- VOCÊ É UMA BRUXA, ANDRÔMEDA! USE SUA VARINHA, DROGA!

Parei por um instante. Tinha estado tão ocupada com a chaleira que me esquecera completamente de que eu era uma bruxa. Tateei o bolso da saia atrás da minha varinha. Por que eu não tinha pensado naquilo antes?

Ergui a varinha e gritei o primeiro feitiço que veio à minha cabeça. De repente, nuvens começaram a aparecer do nada junto ao teto, trovões e relâmpagos ressoaram nas paredes e uma tempestade desabou em cima da minha cabeça.

A água caía violentamente, encharcando tudo. Meu cabelo estava encharcado, minhas roupas estavam encharcadas, e se antes eu pensava em morrer queimada, agora eu tinha certeza que ia era me afogar...

Pouco a pouco, a força da chuva conseguiu vencer o fogo. Para mim, tinha se passado muito tempo, mas, meu relógio só contava quinze minutos quando as nuvens se dispersaram e a chuva parou. Mas eu tive certeza de que ainda não tinha acabado. Fechei os olhos diante dessa certeza.

Meu coração batia desesperadamente. O que faltava acontecer agora? Não era suficiente eu ter colocado fogo no restaurante?

Não, não era o suficiente. Ainda faltava o golpe final. Senti uma mão pousar sobre o meu ombro. Comecei a suar frio, enquanto rezava para qualquer deus acima de mim que aquilo fosse rápido e indolor...

- Andie, você está bem? – Ted perguntou, me observando preocupado.

Logo atrás dele, Tiago também se aproximou, olhando o estrago que eu tinha provocado. Por algum motivo estranho, senti uma vontade insana de gargalhar.

- Eu vou abrir um negócio! - eu falei com meu tom mais morbidamente bem humorado - Funerária Já Era: a sua desgraça é o nosso lucro! Vou ganhar rios de galeões, especialmente depois que me associar aos melhores clubes de bailarinas comensais!

É, eu sei, eu sou insana e sádica o suficiente para fazer isso com um personagem... HUAHUAHUAHUAHUAHUA...

Houve outras histórias em que abusei do humor, é claro, mas nenhuma delas me deixou tão contente quanto essa trilogia. Um dia a casa cai, Crise de espirros, Amigos, amigos... negócios à parte (essa foi um grande sucesso de interatividade e teve um final completamente inesperado para o grande público), Quem com ferro fere... (na qual fiz uma participação especial como personagem, tentando enfiar algum bom senso nos meus personagens... é, eu sei, é meio doido) e Primeiro de Abril – todas foram histórias que escrevi como forma de aliviar o peso das narrativas mais pesadas.

Então, ao ver-me finalmente livre do calhamaço que era meu planejamento de Hades... a Silverghost inaugurou uma nova fase...

Continua...

A Coruja


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3 comentários:

  1. Como vão as coisas, Silverghost? Faz tempo que você não dá as caras no Fanfiction e eu sou ou muito preguiçosa ou muito envergonhada para comentar no Expresso e no Amaterasu, mas já mandei algumas reviews para as suas fics com o nome de Manami Evans... E quando soube que você tinha feito um blog, realmente fiquei bem animada (quase todo mundo que eu conheço está fazendo blogs ultimamente... Acho que tem relação com o fato de que eu passei em Jornalismo e conheci muita gente :P)

    De qualquer forma, parabéns pelo novo projeto, o seu estilo continua irresistível e eu vou começar a acompanhar o Owl's Roof e tentar comentar mais (preciso consertar meus problemas de assiduidade com urgência). Espero poder ver novas atualizações tão interessantes quanto o que você já escreveu até agora. Beijos...

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  2. Você me assusta com a riqueza de detalhes de suas lembranças.
    Um dia termino de ler suas histórias, já que a única que acompanhei de cabo a rabo foi Hades.

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  3. Hahaha, eu não litodas essas histórias, mas sempre quis faze-lo. Vou tentar, quando tiver um tempinho sobrando ^^ Adoro Essência Feminina, mas não lembro muito bem da Marauder’s Week.... Adoro tudo oque vc escreve, ainda não achei algo que não gostasse ^^
    PS: Aparentemente meu nome não vai aparecer, ou melhor o nome que eu usava 'Gi Foxster', mas de qualquer modo não sei se vc lembra dos meus comentários, comento poco, fazer o que.

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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